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4 de janeiro de 2008

Exemplo de Mestre

John Huss nasceu na Boêmia, por volta de 1370, quando a reforma Protestante ainda não havia acontecido e a Inquisição romanista estava a pleno vapor. A Boêmia é uma região da Europa Central ocupada hoje pela República Tcheca. Em 1400, com cerca de 30 anos, Huss foi ordenado sacerdote. Deste o início de seu ministério, quando assumiu o púlpito da Capela de Belém, em Praga, tornou-se um incômodo e um obstáculo para muitos de seus colegas, pois pregava constantemente contra os privilégios do clero e defendia a necessidade urgente de uma reforma religiosa. Eloqüente pregador, Huss exerceu rapidamente forte influência sobre o povo. Conta-se que boa parte da população afluía para ouvir suas mensagens. Mas não só o povo simples. Os nobres também foram influenciados. Claro que alguns deste simpatizaram com seus discursos apenas pelo o interesse que tinha de limitar o poder da Igreja Católica Romana, mas outros nobres o seguraram por convicção. Para se ter uma idéia do poder romanista na Europa, e especialmente naquela região, estima-se que , na época, metade do território nacional boêmio pertencia à Igreja Católica Romana, enquanto a coroa detinha só a sexta parte do território. Com fervor espiritual, Huss foi mais além. Traduziu, pela primeira vez, o Novo Testamento para a língua boêmia. O seu povo começou a ler a Bíblia, a qual não tinha acesso, e a perceber os erros de Roma. É importante dizer que John Huss não fora sempre assim. No início de sua vida, era aliado a Roma, apesar de, ao ler a Bíblia em latim, começar a discordar de alguns pontos defendidos pelo romanismo por não encontrar base Bíblica para eles. Com o passar do tempo, suas convicções do distanciamento de Roma em relação à Palavra de Deus só cresceram. E sabendo que na Inglaterra já havia algum tempo que os chamados Iolardos – seguidores do reformado inglês John Wycliff (1329-1384) – tinham convicções semelhantes, entrou em contato com a obra do reformado inglês e encontrou ainda mais argumentos bíblicos contra o romanismo. Isso fez com que Huss enfatizasse casa vez mais em sua mensagem a autoridade da Bíblia acima das tradições romanista.
Não demorou muito para Roma intervir, impedindo Huss de pregar. O arcebispo local encarregou-se disso, mas o profeta da Boêmia não esmoreceu. Continuou pregando e, por isso, foi excomungado em 1411. Porém, algo pior ainda esperava por Huss. O papa entrou em guerra contra o rei de Nápoles e, para financiar o conflito, decidiu vender indulgência. Ou seja, ofereceu remissão de pecados mediante pagamento à Igreja de determinada quantia em dinheiro. Em poucos dias, os vendedores chegaram à Boêmia, tentando usar todo tipo de método para persuadir as pessoas. Indignado, John Huss pregou contra a venda. Em seu protesto, afirmou, citando a Bíblia, que só Deus poderia conceder perdão aos homens e ninguém jamais poderia vender algo que procede somente de Deus. Seu discurso foi tão poderoso que movimentou todo o país contra a venda de indulgência. Roma, então, declarou pela segunda vez que Huss fora excomungado e começou a perseguí-lo a fim de matá-lo. A pedido do imperador, Huss mudou-se de Praga, partindo para o sul da Boêmia, onde permaneceu até que, em 1414, foi convidado a participar do Concílio da Igreja Católica Romana em Constança, na Alemanha. O evento prometia abrir espaço para que Huss expusesse o seu caso, então ele aceitou comparecer. Chegando ali, foi convidado pelo papa a uma assembléia composta apenas de cardeais. Nele, foi acusado formalmente de heresias sem espaço para se defender e levado em seguida para prisão. Em junho de 1415, John Huss foi julgado. Em nenhum momento foi-lhe permitido defender-se. Só exigiram que se retrata-se, mais Huss recusou-se e foi condenado à fogueira. No dia 6 de julho, foi levado até a Catedral de Constança, onde foi forçado a ouvir um sermão sobre “A teimosia dos hereges”. Em seguida teve seus cabelos cortados, uma cruz foi desenhada em sua cabeça e recebeu uma coroa de papel decorada com desenhos de diabinhos. Mais uma vez, exigiram que Huss se retratasse, mas afirmou: “Estou preparado para morrer na Verdade do Evangelho que ensinei e escrevi”. Huss morreu cantando salmos e profetizando: “Vocês hoje queimam o ganso (Huss, na língua boêmia, significa ganso), mas daqui a cem anos Deus levantará um cisne o qual não podereis queimar”. Detalhe: 102 anos depois, em 1517, Lutero iniciou oficialmente a Reforma Protestante. E mais: em 1999, o então papa João Paulo II pediu perdão ao povo da Boêmia “pela morte cruel infligida a John Huss”. Revista
Ensinador CRISTÃO
Editora CPAD
Por Silas Daniel

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